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Têm nome
No silêncio da noite, a fome grita.
Em barracos de lata, a miséria habita. Olhos cansados, sonhos desfeitos, Esperança perdida em becos estreitos. Crianças choram, mães desesperam, Em busca de um pão, que não chega. A miséria não cessa. Estingue vidas magras, amarelas. Falta água, Senhor, falta vida. Um prato de comida, por favor — uma voz miúda me pede. Quem tem fome chora. Quem tem fome implora... Um gesto qualquer de amor, que aqueça a alma, alivie a dor. Uma lágrima rola na pele escura, queimada pelo Sol da roça. Falta tudo só não lhes falta fé. No prato, pobreza. Nas panelas, fome. Vão-se vidas pouco a pouco, sem glória, sem amores ou paixões. Queriam somente arroz, feijão, uma carne quiçá. A barriga ronca pra lembrar comida. Ela avisa que precisa de algo que se mastigue, que se engula, que se coma. Rostos maltrapilhos vagam na terra. Têm fome, Senhor. Têm nome.
Valeska Caffarena
Enviado por Valeska Caffarena em 09/09/2024
Alterado em 02/11/2024 Comentários
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